Azálea
Uma
dúvida recorrente quando se aborda o tema "Azálea" é a de qual a
diferença entre as Azáleas e os Rhododendros. Na realidade não há
qualquer diferença botânica entre as Azáleas e os Rhododendros. Ambos
pertencem à espécie Rhododendro SP da família das Ericáceas. Porém é
usual fazer alguma distinção entre os Rhododendros e as Azáleas. Os
Rhododendros por norma incluem espécies de folha mais larga e que podem
atingir a forma de arbusto de médio/grande porte. Relativamente às
Azáleas por norma englobam espécies com folha mais pequena, oriundas da
Ásia e reconhecidas principalmente pela sua abundante e encantadora
floração. Esse é sem duvida o principal encanto das Azáleas: a flor. O
encanto pela espécie provoca que existam criadores de bonsai unicamente
especializados em Azáleas e por vezes especializados numa só espécie.
Contudo, o encanto pelas Azáleas não é exclusivo da Arte Bonsai.
Verificamos, por exemplo, que existem muitos coleccionadores de Azáleas
por todo o mundo. Podemos confirmar que através da constante pesquisa
existem hoje em dia centenas de tipos de Azáleas. A título de
curiosidade podemos indicar algumas comunidades virtuais como a www.azalea.org ou www.encoreazalea.com onde
é possível ver a paixão que esta espécie gera. É extraordinária a
quantidade e a beleza de novas Azáleas híbridas que são criadas por
estes coleccionadores.
As
Azáleas são sem dúvida portadoras de um encanto e de uma beleza
invulgar e mágica. Vamos concentrar as nossas atenções na Azálea
enquanto espécie utilizada em Bonsai.
Para
abordar esta secção decidi, e para uma melhor organização, dividir este
tópico em quatro sub tópicos: O solo; a rega; a localização e o
transplante.
O Solo
: Uma das características das Azáleas é ser uma espécie calcífoga.
Significa que a presença do calcário é prejudicial à espécie. Nestas
condições o solo deverá ser ácido, rico em matéria orgânica e com boa capacidade de reter água e humidade. Usualmente
para satisfazer uma das principais necessidades da Azálea utiliza-se um
solo ácido denominado Kanuma. Uma das principais características da
Kanuma é precisamente manter o solo ácido por mais tempo que os
restantes tipos de solo. Contudo é possível criar azáleas em outros
tipos de solo com sucesso. Uma vez que em Portugal na maioria dos casos a
água é de origem calcária é utilizado um pequeno "truque": a adição de
vinagre ou limão em pelo menos uma rega por mês. Assim, asseguramos a
manutenção da acidez do nosso solo.
A Rega
: Nas azáleas a rega assume particular importância, principalmente na
altura da floração. Nesta época o solo deverá estar permanentemente com
um alto teor de humidade. Um descuido na rega pode significar a perda
das nossas preciosas flores mais cedo que a natureza nos priva. Fora da
floração, a rega deverá ser mais moderada, evitando o encharcamento
permanente. É muito importante deixar o solo secar entre as regas. A
Azálea é muito propensa a fungos do colo da raiz. Tendo este cuidado na
rega diminuímos a probabilidade de aparecimento deste tipo de fungos.
Pulverizar as folhas e os ramos são bem apreciados pela azálea. Contudo
em zonas de águas calcárias tal prática pode ter consequências por vezes
letais, uma vez que a presença do calcário pode originar o entupimento
dos estomas e consequente asfixia da planta. Aconselhamos por isso em
zonas de água cálcaria que o pulverizar das folhas seja feito com água
destilada ou água da chuva. Durante a floração a rega foliar não deve
ser efectuada uma vez que o contacto da água com a flor diminui o seu
período de vida drasticamente.
A Localização
: Assume também especial importância na altura da floração. As Azáleas
precisam de apanhar sol de preferência nas primeiras horas da manhã ou
últimas horas da tarde. A presença do sol é vital para estimular o
aparecimento das flores. Contudo durante a floração a ausência de raios
solares directos pode assegurar a manutenção por um período mais longo
das nossas preciosas flores.
O Transplante
: O transplante e a poda radicular deverá ser feito antes da floração
sendo a altura ideal o fim do Inverno/início da Primavera. Deve ser
feito anualmente para exemplares mais jovens e com um maior espaço
temporal à medida que a nossa árvore vai envelhecendo. O composto do
solo que devemos utilizar já foi abordado anteriormente.
Os
trabalhos de poda podem ser divididos em dois períodos distintos: antes
e depois da floração. Assim, no Final da Primavera - Início do Verão,
dependendo da espécie em questão e da altura da floração, deveremos
realizar uma poda selectiva de forma a que estimule o crescimento dos
novos brotos e das flores. É por isso importante fazer uma poda que
limpe os ramos supérfluos e que liberte claridade para as futuras
flores. Os trabalhos de limpeza de folhas e flores "velhas" deverão ser
uma constante. Após a floração a poda deverá ser de forma a "libertar"
os próximos brotos que irão dar origem ao novos ramos e às flores do ano
seguinte.
Relativamente
aos trabalhos de aramamento estes deverão ser feitos durante a
Primavera, Verão e início do Outono. De referir que esta técnica deverá
ser utilizada com especial cuidado uma vez que os ramos das azáleas são
de uma madeira rija e bastante quebradiça.
A
azálea apresenta uma taxa de sucesso relativamente alta em quase todos
os métodos de propagação sendo, sem dúvida o mais eficaz o da estaca.
Contudo, o sucesso do método está intimamente ligado à época do ano em
que é feito. Para uma melhor orientação na Primavera os métodos que
maior taxa de sucesso apresentam são: a estaca; a enxertia; a semente;
no Verão, o arborque. Mais uma vez realçamos que uma estaca realizada na
Primavera apresenta uma probabilidade de originar uma futura Azálea
relativamente alta.
Como
já foi referido anteriormente existem hoje em dia centenas de espécies
híbridas de Azáleas. É constante o cruzamento de espécies sempre à
procura de uma flor mais bela, mais encantadora, mais apaixonante. Na
arte bonsai existem contudo algumas espécies de referência sendo, sem
dúvida a mais expressiva a Satsuki e a Kurume, ambas originárias do
Japão. As Satsuki devem o seu nome à altura da sua floração: a 5ª Lua.
Assim, a sua floração ocorre normalmente em Maio. Esta espécie tem
apaixonados leais que se dedicam exclusivamente ao cultivo desta
espécie. No Japão não é necessário procurar muito mestres especializados
e dedicados exclusivamente às Satsuki. Não é difícil perceber porquê.
Quem vê as suas encantadoras flores facilmente se apaixona por esta
espécie.
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